Dizia o sábio Fernando Pessoa, "toda carta de amor é ridícula". Por que não chamar o amor de ridículo? Porém, não há nada de ruim nisso. Ele consegue ser tão renovador que seu eu se transforma. Pois é... Aquele garoto calado e sentado na cadeira mais próxima da sala que estas descansando, pode ser o que lhe contemplará.
 

Apesar que, na juventude, criou-se uma barreira interminável sobre ele. Por que se afastar de algo que contempla a felicidade? Não é que "ficar" seja errado mas poder acordar às 7:00 horas da manhã após uma ótima noite de sono ao lado do amor de sua vida é perfeito. Saber que está feliz e poder beija-la todas as vezes porque saberá que é para sempre.
 

Sempre está na "lei da vida" poder aproveita-la ao máximo. Sem usar se aproveitar de tal sentimento para usar alguém, é claro. Falar de amor, é citar também uns "sofistas da felicidade". Se vendem as custas deste sentimento para "comer e jogar fora". Infelizmente, acontece tão natural mas aí ele vem de forma justa. Os praticantes dos atos se perdem no meio da vida e, em contrapartida, quem "sofreu" cresce até relevar esses moleques.
 

Nós, verdadeiras pessoas, devemos saber como usar o amor. Sim... Não pode faze-lo acontecer de qualquer jeito, tem que saber amar. Está explícito em "As Sem - Razões do Amor" que Drummond o colocou como estado máximo de graça. Não há necessidade de encontrar, descrever, escrever e reescrever mil adjetivos para as sensações quando nos tratamos de amor. A felicidade está em jogo.
E não é qualquer sentimento. O amor eterno está no anjo que evitará todas as brigas no intuito de elevar ao máximo todos os sorrisos e prazeres ocorridos no momento máximo da vida. Amar e ser amado.


A grandeza da vida.

11 de fev. de 2015

Dizia o sábio Fernando Pessoa, "toda carta de amor é ridícula". Por que não chamar o amor de ridículo? Porém, não há nada de ruim nisso. Ele consegue ser tão renovador que seu eu se transforma. Pois é... Aquele garoto calado e sentado na cadeira mais próxima da sala que estas descansando, pode ser o que lhe contemplará.
 

Apesar que, na juventude, criou-se uma barreira interminável sobre ele. Por que se afastar de algo que contempla a felicidade? Não é que "ficar" seja errado mas poder acordar às 7:00 horas da manhã após uma ótima noite de sono ao lado do amor de sua vida é perfeito. Saber que está feliz e poder beija-la todas as vezes porque saberá que é para sempre.
 

Sempre está na "lei da vida" poder aproveita-la ao máximo. Sem usar se aproveitar de tal sentimento para usar alguém, é claro. Falar de amor, é citar também uns "sofistas da felicidade". Se vendem as custas deste sentimento para "comer e jogar fora". Infelizmente, acontece tão natural mas aí ele vem de forma justa. Os praticantes dos atos se perdem no meio da vida e, em contrapartida, quem "sofreu" cresce até relevar esses moleques.
 

Nós, verdadeiras pessoas, devemos saber como usar o amor. Sim... Não pode faze-lo acontecer de qualquer jeito, tem que saber amar. Está explícito em "As Sem - Razões do Amor" que Drummond o colocou como estado máximo de graça. Não há necessidade de encontrar, descrever, escrever e reescrever mil adjetivos para as sensações quando nos tratamos de amor. A felicidade está em jogo.
E não é qualquer sentimento. O amor eterno está no anjo que evitará todas as brigas no intuito de elevar ao máximo todos os sorrisos e prazeres ocorridos no momento máximo da vida. Amar e ser amado.


“Um homem de idade equivalente à 31 anos, com nada além de um salário suficiente para pagar as contas e se alimentar e uma noiva que ele ama. Esse é George.
George está com Anne, sua noiva há oito anos, desde que a conheceu por acaso, se apaixonou à primeira vista e decidiu esquecer a vergonha para se aproximar dela. Sua vida é simples, mas ele agradece a Deus todos os dias por cada coisa que faz parte dela. A única coisa que o abalava era o fato de não ter condições para dar à sua mulher tudo o que ele achava que ela merecia, então decidiu surpreendê-la.
Cada centavo que sobrava de cada mês ele guardou. Por vezes, comprou os piores produtos para si apenas para economizar algum dinheiro. E foi assim durante meses até que ele conseguisse totalizar o valor desejado.
Após recontar o dinheiro cerca de sete vezes para confirmar que tinha o necessário, George escolheu o melhor restaurante de Paris para o dia de seu aniversário de noivado. Disse para Anne apenas que eles iriam sair no dia para comemorar, mas não disse onde iriam para não estragar a surpresa.
A cada dia que se passava, ele ficava mais e mais ansioso, até que finalmente chegou. Ele foi buscá-la com um carro que emprestou de seu amigo e seguiu até o restaurante. A curiosidade de Anne aumentava a medida em que perguntava para onde estavam indo e George dizia que logo ela veria, com um sorriso de orelha a orelha. Ao chegarem, Anne ficou boquiaberta olhando para a entrada do local e seu design todo vidrado que permitia ver o ambiente interior. George convidou-a à entrar e estendeu a mão enquanto ela procurava as palavras para agradecer em meio a um sussurro. Eles entraram e se sentiram no sonho mais ganancioso que já tiveram, até serem recepcionados.
Ao pedir para recepcionista do restaurante uma mesa, ela os dirigiu até a pior e mais escondida do local. A mesa se encontrava no fundo, próximo a porta da cozinha - onde havia um grande movimento, além de um odor e calor intensos -, onde a luz não chegava nem perto das que cercavam a glamorosa entrada e a vista nem se comparava com a que se tinha nas mesas ao lado das grandes janelas. Sem poupar sua indignação, George questionou porque não fora colocado em uma daquelas mesas, sendo que haviam três delas vazias. A recepcionista hesitou em responder, fazendo com que Anne também a pressionasse. Após uma grande resistência e desculpas descartadas, a trabalhadora disse que estava apenas seguindo ordens e que, se quisessem, a noiva de George poderia sentar-se lá, mas ele não. Persistindo um pouco mais, também conseguiram descobrir que o motivo dessa atitude era por causa da aparência.
Anne era uma linda mulher naturalmente, mas naquele dia estava mais ainda. Seus olhos verdes tinham um destaque no meio do contorno preto e os cabelos louros caíam ondulados sobre seus ombros e costas, fora o fato de que o vestido preto simples realçava suas curvas afeminadas e pele clara. Por sua vez, George não tinha uma beleza tão ofuscante quanto. Sua camisa social branca contrastava com a pele e a calça jeans escuras, mas não lhe dava grande destaque. Seus olhos eram pretos como o carvão e seu cabelo enrolado estava em um misto de topete e black power controlado. Ele era realmente bonito, mas não se encontrava no padrão de beleza preestabelecido pela sociedade. Embora as diferenças fossem notáveis, nenhum dos dois nunca se importara com o fato. Eles se amavam além da aparência e completavam um ao outro. Apesar disso, George sentiu-se na obrigação de concordar não com a política do estabelecimento, mas sim com a realidade: ele não servia para Anne. Era pobre e não tinha como sustentá-la e não era bonito o bastante para ela.
A infeliz conclusão o levou a tomar uma atitude impulsiva, saindo do local deixando Anne e a recepcionista para trás. Ele pegou o carro e saiu do estacionamento sem se preocupar com nada, resultando na batida proposital em um poste, o que causou sua morte. Anne saiu correndo tentando alcançá-lo, mas já era tarde. Encontrou George sangrando e sem pulso duas quadras a frente. Ela chacoalhava-o enquanto chorava e gritava sem aceitar sua morte. Quando o socorro chegou e fez com que ela saísse de perto, Anne percebeu que uma caixinha estava caída no chão do carro e, ao abrir, viu dentro dela uma aliança com um recado: "Casa comigo?"”

Esse texto foi escrito com embasamento em ações tomadas por restaurantes franceses em vida real, embora os personagens e a história tenham caráter fictício, para expressar minha indignação. É verdade que tive como base uma matéria do Jornal O Globo, “Restaurante chique em Paris esconde clientes feios nos fundos do salão”, a qual falava de uma “pratica das casas chiques da capital francesa”, publicada em 2013. Mas a data não impede que reflitamos sobre o assunto.
Minha indignação, porém, não é para com os restaurantes ou seus donos, mas com a sociedade num todo. Passei um certo tempo refletindo sobre o assunto e acabei por concluir que talvez eu fizesse o mesmo em dadas circunstancias. O fato é que não se trata de o dono gostar ou não de pessoas feias. Acontece que quando se tem um negócio, você quer vender. E, não importa o que esteja vendendo, você tem um público-alvo, alguém para persuadir de que o seu produto é melhor. Com um restaurante de alto nível não seria diferente.
Qual a ligação? Hoje em dia, as pessoas se importam muito mais com a aparência e com o dinheiro/preço do que com o produto oferecido. Um restaurante chique, por assim dizer, é aquele destinado a pessoas da alta sociedade, as que, muitas vezes, são mais influenciadas por esses detalhes superficiais. Agora, entre ser visto se alimentando em um lugar com pessoas bonitas ou feias, onde você escolheria? Provavelmente onde pessoas bonitas frequentam, inclusive para se sentir bonito(a), para ter sua autoestima elevada. Mas jogar a culpa nos proprietários do estabelecimento é um ato errôneo. Afinal, somos nós mesmos quem estabelecemos o padrão de beleza e sua importância para nós. Claro que sempre existem exceções, como as pessoas que tem certa influência, ou as que tem dinheiro o bastante para suprir a feiura.
Não é de hoje que a beleza é algo influenciável para inúmeras coisas, mas ela vem adquirindo mais importância desde o século XX. É um esteriótipo no qual todos crescem sendo inseridos ao mesmo tempo em que é algo que nós "decidimos", que nós estabelecemos. Agora eu me pergunto: quem tem o direito de decidir o que é belo ou feio? E aproveito para citar Voltaire, que já dizia "perguntai a um sapo que é a beleza [...], responder-vos-á ser a sapa com os dois olhos exagerados e redondos encaixados na cabeça minúscula, a boca larga e chata, o ventre amarelo, o dorso pardo. Interrogai um negro da Guiné. O belo para ele é - uma pele negra e oleosa, olhos cravados, nariz esborrachado. Indagai ao diabo. Dir-vos-á que o belo é um par de cornos, quatro garras e cauda. Inquiri os filósofos. Responder-vos-ão com aranzéis. Falta-lhes algo de conforme ao arquétipo do belo em essência [...]” (Dicionário Filosófico).
Em tese, o feio e o belo não são algo concreto. Mesmo se tudo que fosse belo aos olhos de um, fosse aos olhos de todos, a beleza ainda seria efêmera. Todo mundo envelhece, ganha rugas, marcas de expressão, etc., e tudo o que você considera importante hoje, pode não ser amanhã.



A Supérflua Beleza

“Um homem de idade equivalente à 31 anos, com nada além de um salário suficiente para pagar as contas e se alimentar e uma noiva que ele ama. Esse é George.
George está com Anne, sua noiva há oito anos, desde que a conheceu por acaso, se apaixonou à primeira vista e decidiu esquecer a vergonha para se aproximar dela. Sua vida é simples, mas ele agradece a Deus todos os dias por cada coisa que faz parte dela. A única coisa que o abalava era o fato de não ter condições para dar à sua mulher tudo o que ele achava que ela merecia, então decidiu surpreendê-la.
Cada centavo que sobrava de cada mês ele guardou. Por vezes, comprou os piores produtos para si apenas para economizar algum dinheiro. E foi assim durante meses até que ele conseguisse totalizar o valor desejado.
Após recontar o dinheiro cerca de sete vezes para confirmar que tinha o necessário, George escolheu o melhor restaurante de Paris para o dia de seu aniversário de noivado. Disse para Anne apenas que eles iriam sair no dia para comemorar, mas não disse onde iriam para não estragar a surpresa.
A cada dia que se passava, ele ficava mais e mais ansioso, até que finalmente chegou. Ele foi buscá-la com um carro que emprestou de seu amigo e seguiu até o restaurante. A curiosidade de Anne aumentava a medida em que perguntava para onde estavam indo e George dizia que logo ela veria, com um sorriso de orelha a orelha. Ao chegarem, Anne ficou boquiaberta olhando para a entrada do local e seu design todo vidrado que permitia ver o ambiente interior. George convidou-a à entrar e estendeu a mão enquanto ela procurava as palavras para agradecer em meio a um sussurro. Eles entraram e se sentiram no sonho mais ganancioso que já tiveram, até serem recepcionados.
Ao pedir para recepcionista do restaurante uma mesa, ela os dirigiu até a pior e mais escondida do local. A mesa se encontrava no fundo, próximo a porta da cozinha - onde havia um grande movimento, além de um odor e calor intensos -, onde a luz não chegava nem perto das que cercavam a glamorosa entrada e a vista nem se comparava com a que se tinha nas mesas ao lado das grandes janelas. Sem poupar sua indignação, George questionou porque não fora colocado em uma daquelas mesas, sendo que haviam três delas vazias. A recepcionista hesitou em responder, fazendo com que Anne também a pressionasse. Após uma grande resistência e desculpas descartadas, a trabalhadora disse que estava apenas seguindo ordens e que, se quisessem, a noiva de George poderia sentar-se lá, mas ele não. Persistindo um pouco mais, também conseguiram descobrir que o motivo dessa atitude era por causa da aparência.
Anne era uma linda mulher naturalmente, mas naquele dia estava mais ainda. Seus olhos verdes tinham um destaque no meio do contorno preto e os cabelos louros caíam ondulados sobre seus ombros e costas, fora o fato de que o vestido preto simples realçava suas curvas afeminadas e pele clara. Por sua vez, George não tinha uma beleza tão ofuscante quanto. Sua camisa social branca contrastava com a pele e a calça jeans escuras, mas não lhe dava grande destaque. Seus olhos eram pretos como o carvão e seu cabelo enrolado estava em um misto de topete e black power controlado. Ele era realmente bonito, mas não se encontrava no padrão de beleza preestabelecido pela sociedade. Embora as diferenças fossem notáveis, nenhum dos dois nunca se importara com o fato. Eles se amavam além da aparência e completavam um ao outro. Apesar disso, George sentiu-se na obrigação de concordar não com a política do estabelecimento, mas sim com a realidade: ele não servia para Anne. Era pobre e não tinha como sustentá-la e não era bonito o bastante para ela.
A infeliz conclusão o levou a tomar uma atitude impulsiva, saindo do local deixando Anne e a recepcionista para trás. Ele pegou o carro e saiu do estacionamento sem se preocupar com nada, resultando na batida proposital em um poste, o que causou sua morte. Anne saiu correndo tentando alcançá-lo, mas já era tarde. Encontrou George sangrando e sem pulso duas quadras a frente. Ela chacoalhava-o enquanto chorava e gritava sem aceitar sua morte. Quando o socorro chegou e fez com que ela saísse de perto, Anne percebeu que uma caixinha estava caída no chão do carro e, ao abrir, viu dentro dela uma aliança com um recado: "Casa comigo?"”

Esse texto foi escrito com embasamento em ações tomadas por restaurantes franceses em vida real, embora os personagens e a história tenham caráter fictício, para expressar minha indignação. É verdade que tive como base uma matéria do Jornal O Globo, “Restaurante chique em Paris esconde clientes feios nos fundos do salão”, a qual falava de uma “pratica das casas chiques da capital francesa”, publicada em 2013. Mas a data não impede que reflitamos sobre o assunto.
Minha indignação, porém, não é para com os restaurantes ou seus donos, mas com a sociedade num todo. Passei um certo tempo refletindo sobre o assunto e acabei por concluir que talvez eu fizesse o mesmo em dadas circunstancias. O fato é que não se trata de o dono gostar ou não de pessoas feias. Acontece que quando se tem um negócio, você quer vender. E, não importa o que esteja vendendo, você tem um público-alvo, alguém para persuadir de que o seu produto é melhor. Com um restaurante de alto nível não seria diferente.
Qual a ligação? Hoje em dia, as pessoas se importam muito mais com a aparência e com o dinheiro/preço do que com o produto oferecido. Um restaurante chique, por assim dizer, é aquele destinado a pessoas da alta sociedade, as que, muitas vezes, são mais influenciadas por esses detalhes superficiais. Agora, entre ser visto se alimentando em um lugar com pessoas bonitas ou feias, onde você escolheria? Provavelmente onde pessoas bonitas frequentam, inclusive para se sentir bonito(a), para ter sua autoestima elevada. Mas jogar a culpa nos proprietários do estabelecimento é um ato errôneo. Afinal, somos nós mesmos quem estabelecemos o padrão de beleza e sua importância para nós. Claro que sempre existem exceções, como as pessoas que tem certa influência, ou as que tem dinheiro o bastante para suprir a feiura.
Não é de hoje que a beleza é algo influenciável para inúmeras coisas, mas ela vem adquirindo mais importância desde o século XX. É um esteriótipo no qual todos crescem sendo inseridos ao mesmo tempo em que é algo que nós "decidimos", que nós estabelecemos. Agora eu me pergunto: quem tem o direito de decidir o que é belo ou feio? E aproveito para citar Voltaire, que já dizia "perguntai a um sapo que é a beleza [...], responder-vos-á ser a sapa com os dois olhos exagerados e redondos encaixados na cabeça minúscula, a boca larga e chata, o ventre amarelo, o dorso pardo. Interrogai um negro da Guiné. O belo para ele é - uma pele negra e oleosa, olhos cravados, nariz esborrachado. Indagai ao diabo. Dir-vos-á que o belo é um par de cornos, quatro garras e cauda. Inquiri os filósofos. Responder-vos-ão com aranzéis. Falta-lhes algo de conforme ao arquétipo do belo em essência [...]” (Dicionário Filosófico).
Em tese, o feio e o belo não são algo concreto. Mesmo se tudo que fosse belo aos olhos de um, fosse aos olhos de todos, a beleza ainda seria efêmera. Todo mundo envelhece, ganha rugas, marcas de expressão, etc., e tudo o que você considera importante hoje, pode não ser amanhã.



Numa vila próxima a Jamestown, o amor em sua forma mais pura resplandecia. Os mais antigos dizem que Grace e Philip se amaram desde o primeiro instante, e então não se separaram mais. Diz a lenda que, assim que se conheceram, uma roseira antes estéril deu sua primeira flor, que o homem ofereceu para sua amada. Quarenta anos se passaram, quarenta anos de rosas, de sorrisos, de abraços. O casal nunca brigou, nunca se separou, era a mais pura sintonia. Philip a completava, e vice-versa, e as rosas, daquela mesma roseira, se tornaram o símbolo de seu amor. Diziam que quando (Deus me livre!) um partisse, o outro acompanharia. Até que um dia, quando eles juntos beiravam a marca de cinquenta primaveras, a Vida resolveu aparecer e, num golpe de extrema crueldade, enviou um oficial à porta de sua casa. Philip tinha sido convocado para lutar pelo país, ele iria para a guerra. "Eu vou voltar pra você", prometeu o homem, e partiu. Desde então, todos os dias a mulher se sentava na varanda de sua casa e balançava em sua cadeira, esperando pela volta do amado. A roseira secou, e nunca mais deu sinal de botões de flor. Cinco anos depois, Philip foi mais uma vítima da guerra, e a Morte o levou consigo. Homens do exército foram dar a notícia à Grace, mas na casa nada encontraram. Entretanto, assim que saíram da casa um dos homens notou a cadeira de balanço. O balançar da cadeira persistia, mas ao invés da vívida senhora, em seu lugar estava uma rosa recém colhida. O símbolo do mais puro e singelo amor já testemunhado pelos seres humanos. Ele cumprira sua promessa.



A Última Rosa

10 de fev. de 2015

Numa vila próxima a Jamestown, o amor em sua forma mais pura resplandecia. Os mais antigos dizem que Grace e Philip se amaram desde o primeiro instante, e então não se separaram mais. Diz a lenda que, assim que se conheceram, uma roseira antes estéril deu sua primeira flor, que o homem ofereceu para sua amada. Quarenta anos se passaram, quarenta anos de rosas, de sorrisos, de abraços. O casal nunca brigou, nunca se separou, era a mais pura sintonia. Philip a completava, e vice-versa, e as rosas, daquela mesma roseira, se tornaram o símbolo de seu amor. Diziam que quando (Deus me livre!) um partisse, o outro acompanharia. Até que um dia, quando eles juntos beiravam a marca de cinquenta primaveras, a Vida resolveu aparecer e, num golpe de extrema crueldade, enviou um oficial à porta de sua casa. Philip tinha sido convocado para lutar pelo país, ele iria para a guerra. "Eu vou voltar pra você", prometeu o homem, e partiu. Desde então, todos os dias a mulher se sentava na varanda de sua casa e balançava em sua cadeira, esperando pela volta do amado. A roseira secou, e nunca mais deu sinal de botões de flor. Cinco anos depois, Philip foi mais uma vítima da guerra, e a Morte o levou consigo. Homens do exército foram dar a notícia à Grace, mas na casa nada encontraram. Entretanto, assim que saíram da casa um dos homens notou a cadeira de balanço. O balançar da cadeira persistia, mas ao invés da vívida senhora, em seu lugar estava uma rosa recém colhida. O símbolo do mais puro e singelo amor já testemunhado pelos seres humanos. Ele cumprira sua promessa.



Agradeço possuir minha identidade,
Dança que não tem idade
Que só precisa de um gingado
E alguns clarins danados.

Não precisa juntar as fanfarras,
A dança nasce nos arretados
Diante de trombones e surdos
Para transformar tristezas em alegrias.


É só trazer uma sombrinha,
O natural sorriso no rosto
E comemorar conosco
Nossa marca mais linda.


Marca que vive há 108 anos,
Saindo da imensa capoeira
Para trazer todos encantos
E fazer a decepção ser poeira.


Como todo pernambucano,
Agradeço ao nosso Senhor
Por todos os anos comemorar-te
Dançando, brincando e frevando.

 

108 anos frevando. (Frevo, Pernambuco, amor e poesia.)

Agradeço possuir minha identidade,
Dança que não tem idade
Que só precisa de um gingado
E alguns clarins danados.

Não precisa juntar as fanfarras,
A dança nasce nos arretados
Diante de trombones e surdos
Para transformar tristezas em alegrias.


É só trazer uma sombrinha,
O natural sorriso no rosto
E comemorar conosco
Nossa marca mais linda.


Marca que vive há 108 anos,
Saindo da imensa capoeira
Para trazer todos encantos
E fazer a decepção ser poeira.


Como todo pernambucano,
Agradeço ao nosso Senhor
Por todos os anos comemorar-te
Dançando, brincando e frevando.

 
Para os andam estudando literatura, venho ajuda-los a diferenciar poema de soneto.

1.Poema
- É um texto literário que não possui um padrão em sua estética. Geralmente está escrito em quartetos(quatro versos).

Ex: O mergulhador - Vinicius de Moraes

Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti.

 

És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente.

 

Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste.

 

Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo.

 

Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas.

 

E ponho-me a cismar… – mulher, como te expandes!
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância!
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida!

 

Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço.

 

E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre.

 

Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva.

 

Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito.

 

Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.

 

Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar.

 

Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.

 

Por isso – isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador! 



2.Soneto 
- É um texto literário que possui um padrão específico em sua estética. Escrito em dois quartetos(quatro versos) e dois tercetos(três versos).


Ex: Soneto do amor total - Vinicius de Moraes.


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.



 Espero que compreendam a diferença de poema para soneto!



Dica: Poema e Soneto.

9 de fev. de 2015

Para os andam estudando literatura, venho ajuda-los a diferenciar poema de soneto.

1.Poema
- É um texto literário que não possui um padrão em sua estética. Geralmente está escrito em quartetos(quatro versos).

Ex: O mergulhador - Vinicius de Moraes

Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti.

 

És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente.

 

Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste.

 

Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo.

 

Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas.

 

E ponho-me a cismar… – mulher, como te expandes!
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância!
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida!

 

Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço.

 

E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre.

 

Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva.

 

Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito.

 

Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.

 

Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar.

 

Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.

 

Por isso – isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador! 



2.Soneto 
- É um texto literário que possui um padrão específico em sua estética. Escrito em dois quartetos(quatro versos) e dois tercetos(três versos).


Ex: Soneto do amor total - Vinicius de Moraes.


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.



 Espero que compreendam a diferença de poema para soneto!



No batuque da multidão,
O frevo explode todo coração
Que um dia foi emigrante
E passou a ser imigrante.

Até a geografia tenta dizer,
Algo que não é conceitual
e com uma lógica totalmente fatal
Pois aqui é onde vais viver.
 

Pode ser de San Francisco,
São Paulo ou João Pessoa,
Porque ninguém chega a toa
E, se preciso, mora com seu Chico.

Só precisa trazer as pernas,
Os abraços e a boca para cantar
Pois a recepção será de maravilhar
Para ser feliz dançando até as noitadas.
 
É um amor que não se mede,
Até no Santa Cruz se pede
O povão fazendo sempre a festa
Com frevo no pé, na torcida e na tela.

E no batuque do maracatu,
Anuncio que as portas estão abertas
Para chegar parente, cachorro, amigo e tu
Nesse canteiro de amor e festas.

 

Nos passos do frevo universal.

8 de fev. de 2015

No batuque da multidão,
O frevo explode todo coração
Que um dia foi emigrante
E passou a ser imigrante.

Até a geografia tenta dizer,
Algo que não é conceitual
e com uma lógica totalmente fatal
Pois aqui é onde vais viver.
 

Pode ser de San Francisco,
São Paulo ou João Pessoa,
Porque ninguém chega a toa
E, se preciso, mora com seu Chico.

Só precisa trazer as pernas,
Os abraços e a boca para cantar
Pois a recepção será de maravilhar
Para ser feliz dançando até as noitadas.
 
É um amor que não se mede,
Até no Santa Cruz se pede
O povão fazendo sempre a festa
Com frevo no pé, na torcida e na tela.

E no batuque do maracatu,
Anuncio que as portas estão abertas
Para chegar parente, cachorro, amigo e tu
Nesse canteiro de amor e festas.

 
Sentada na escadaria daquela velha igreja que costumávamos ficar, eu, entre mascadas de chiclete e sucções de nicotina, me peguei, novamente, pensando em você. O que não seria novidade alguma, caso eu estivesse naquele período de desespero, de submissão como nos primeiros dias após o abandono sem aviso prévio. Acontece que eu jurei, pra Deus e o mundo, que já havia passado e que suas lembranças nem me atormentavam mais. Eu jurei que não doía mais, nem um tiquinho sequer. E doeu. Doeu de um modo anormal, pior que qualquer facada no peito que alguém já ousou levar.
O tempo escurecia enquanto as árvores balançavam. Os hippies da feirinha que se localiza logo em frente à igreja já recolhiam seus artesanatos, prevendo a chuva que chegaria a qualquer momento. Eu permaneci intacta, sem nem me locomover para baixo da marquise. As gotas pesadas daquela chuva gelada começaram a cair sem piedade dos seres humanos desabrigados. Sem piedade de mim que já não tinha mais seu coração para fazer de morada.
Os minutos passavam vagarosamente – ao contrário das pessoas. Tanto as que saíam da igreja, quanto aquelas que corriam para encontrar o abrigo mais próximo. Em meio à pressa das pessoas, eu passei despercebida. O meu choro descontrolado não pareceu ser uma anormalidade naquele dia extremamente úmido. Os soluços em meio aos sons amedrontadores dos trovões eram imperceptíveis. E eu, do fundo do meu coração, não sabia se aquilo era bom o ruim.
Deixei-me invadir pela chuva que já era, na verdade, uma tempestade. A camiseta que eu vestia – que já foi sua, por sinal – estava completamente encharcada. Pesava sobre meu corpo frágil, mas nada que se comparasse ao peso da minha cabeça que implorava por pender. Meu subconsciente implorava pelo seu ombro para que ela repousasse tranquilamente. E você não estava lá. E você não esteve lá. Digo “lá” como quem diz “ao meu lado”, pois você nunca esteve, sinceramente, comigo.
Permaneci trêmula, numa tentativa falha de que a tempestade levasse junto dela a minha dor. Deixei com que a água que caía do céu me limpasse por fora, enquanto eu implorava para que meu interior também ficasse limpo – livre de você. Mas aquela dor absurda parecia não passar. A tempestade aumentava e as ruas já estavam alagadas, e nada de eu me livrar de você. Eu chorei tanto por você que achei que você fosse transbordar pelos meus olhos e, assim sendo, eu estaria livre, limpa. E nada. Eu chorei e você não se foi, não saiu de mim. Eu chorei e você nem voltou, não retornou pra mim. Entende o tamanho da contradição?
Eu implorei por incontáveis minutos que você surgisse em meio àquela chuva para me salvar ou, pelo menos, se preocupar com o possível resfriado que eu estava prestes a pegar. Porém, a verdade é que você não estava mais nem aí. Não estava mais nem ali. E, talvez, nunca mais estivesse.
Eu permaneci naquela chuva até que o tempo se acalmou. Conforme os minutos se passaram, eu também me acalmei. As pernas já não estavam mais trêmulas e as mãos já não apertavam mais o restante do corpo em tom de desespero. O tempo bonito voltou. Os hippies voltaram. As pressa diminuiu. O arco-íris até surgiu. A única coisa inalterada foi o vazio que você deixou em mim.
Então, amor, aguardo ansiosamente pelo meu arco-íris interior.


Sem morada

Sentada na escadaria daquela velha igreja que costumávamos ficar, eu, entre mascadas de chiclete e sucções de nicotina, me peguei, novamente, pensando em você. O que não seria novidade alguma, caso eu estivesse naquele período de desespero, de submissão como nos primeiros dias após o abandono sem aviso prévio. Acontece que eu jurei, pra Deus e o mundo, que já havia passado e que suas lembranças nem me atormentavam mais. Eu jurei que não doía mais, nem um tiquinho sequer. E doeu. Doeu de um modo anormal, pior que qualquer facada no peito que alguém já ousou levar.
O tempo escurecia enquanto as árvores balançavam. Os hippies da feirinha que se localiza logo em frente à igreja já recolhiam seus artesanatos, prevendo a chuva que chegaria a qualquer momento. Eu permaneci intacta, sem nem me locomover para baixo da marquise. As gotas pesadas daquela chuva gelada começaram a cair sem piedade dos seres humanos desabrigados. Sem piedade de mim que já não tinha mais seu coração para fazer de morada.
Os minutos passavam vagarosamente – ao contrário das pessoas. Tanto as que saíam da igreja, quanto aquelas que corriam para encontrar o abrigo mais próximo. Em meio à pressa das pessoas, eu passei despercebida. O meu choro descontrolado não pareceu ser uma anormalidade naquele dia extremamente úmido. Os soluços em meio aos sons amedrontadores dos trovões eram imperceptíveis. E eu, do fundo do meu coração, não sabia se aquilo era bom o ruim.
Deixei-me invadir pela chuva que já era, na verdade, uma tempestade. A camiseta que eu vestia – que já foi sua, por sinal – estava completamente encharcada. Pesava sobre meu corpo frágil, mas nada que se comparasse ao peso da minha cabeça que implorava por pender. Meu subconsciente implorava pelo seu ombro para que ela repousasse tranquilamente. E você não estava lá. E você não esteve lá. Digo “lá” como quem diz “ao meu lado”, pois você nunca esteve, sinceramente, comigo.
Permaneci trêmula, numa tentativa falha de que a tempestade levasse junto dela a minha dor. Deixei com que a água que caía do céu me limpasse por fora, enquanto eu implorava para que meu interior também ficasse limpo – livre de você. Mas aquela dor absurda parecia não passar. A tempestade aumentava e as ruas já estavam alagadas, e nada de eu me livrar de você. Eu chorei tanto por você que achei que você fosse transbordar pelos meus olhos e, assim sendo, eu estaria livre, limpa. E nada. Eu chorei e você não se foi, não saiu de mim. Eu chorei e você nem voltou, não retornou pra mim. Entende o tamanho da contradição?
Eu implorei por incontáveis minutos que você surgisse em meio àquela chuva para me salvar ou, pelo menos, se preocupar com o possível resfriado que eu estava prestes a pegar. Porém, a verdade é que você não estava mais nem aí. Não estava mais nem ali. E, talvez, nunca mais estivesse.
Eu permaneci naquela chuva até que o tempo se acalmou. Conforme os minutos se passaram, eu também me acalmei. As pernas já não estavam mais trêmulas e as mãos já não apertavam mais o restante do corpo em tom de desespero. O tempo bonito voltou. Os hippies voltaram. As pressa diminuiu. O arco-íris até surgiu. A única coisa inalterada foi o vazio que você deixou em mim.
Então, amor, aguardo ansiosamente pelo meu arco-íris interior.


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